quarta-feira, 11 de maio de 2011

Perspectiva

Vi-me ante a aquarela
de uma essência enjoada.
Vi-me, sendo pintor, poeta e abstrato
sendo, talvez, apenas o retrato
de uma época alva, aquela.

Agora, adestrado, vejo nada além
de uma vivência putrefata,
admirando a volúpia refém
dos ensinamentos antiquados.

Não sou machista, nem feminista
não me vejo aquém ou a afora
apenas necessito, às vezes,
fazer-me Chico.
Bento A. G.

( Horas seguidas olhando pela janela, e o transito não pára, a beira-mar continua igual, as nuvens, tediosamente, teimam em ser brancas, o céu na mesma proporção com aquele azul enjoado. Às vezes creio que o chato sou Eu, querendo mudar o que parece a todos tão claro e objetivo... Mesmo nesta monotonia tão fluente, viajo nos meus próprios princípios procurando justificativas plausíveis que me levem, não as facilidades de hoje, e sim as delíciosas expectativas de outrora. E que não seja apenas rotina, descobrir o colo, os pés, calcanhares... que seja mesmo, uma descoberta. Que ao olharmos ao redor, vejamos mais intelectualidade e menos físico exposto as faces alheias. Guardem os seios, as bundas... e vamos expor, não apenas tórax, bíceps e tanquinhos... vamos revolucionar com inteligência e educação e não esperar por mais uma tecnologia metamórfica que te faça uma lipo em 3s... e tenho dito!)   

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Pra ser sincero
Basta um segundo,
Para fazer-te todo amor.

E não menos que a eternidade
Para sonhar,
Que contigo, eu posso...
Bento A. G.

( Nas equações mentais que decifro diariamente, a mais exata, é o amor. e Em contradição a que me deixar mais dúvidas é ser exato, racional e frio... Amo o que me faz ferver e deixa-me sem chão...Pra ser sincero, quero apenas, amor, amor ,amor...)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A uma alma voraz
deixo as palavras despidas
em momentos de marasmo.
Ao meu estro
deixo os tornados da vida.

Rimas repetidas
feito diástole e sístole,
carinhosamente ditadas por este
aferrado músculo motor.

Às donzelas sexys
de uma noite qualquer
digo, dolorosamente
lamento-as por não me merecerem...
Bento A.G.

( Deixo aqui palavras justapostas por um coração que ao mesmo tempo sente-se bem por estar só e em contraponto lamenta-se pela ausência da donzela sonhada. Um misto de sentimentos que aflora nas viagens platônicas que diariamente convivo. Sonhos a mais, e emoções na mesma proporção. Dane-se tudo, a rima, a métrica... Penso apenas em dizer, com palavras simples e diretas, não sou de amores noturnos, não sou de todas, não vivo por aí. Sou da donzela desfalecida, da dama alva e dos sentimentos puros... Minha poesia não tem nada de extraordinário, já meu imo, é unicamente educado para amar acima de tudo...)

domingo, 17 de abril de 2011

Momento

Quando Eu não mais rimar
faça-me doces lembranças
ao menos uma vez...

Quando Eu estiver longe do teu estro
serei sempre aquela criança
que sonha com amores infinitos
e vê na saudade, oportunidade de sempre amar.

Quando meus versos acabarem
Não é por falta de amor
e sim porque estamos em silêncio
entrelaçando nossas almas pela eternidade.

Bento A. G.

(Quando nossas almas forem apenas uma, estarei sim, sorridente. Pois enfim todo o esforço terreno fez-se presente pela eternidade, criando um amor sincero e duradouro. Se cada segundo que passo entre meus versos fizer-me um tanto enamorado, valeu cada segundo. Pois ao enamorar-me aos versos, faço-te sempre inesquecível, amor.)

( Toda palavra é válida quando se disserte sobre o amor, as simples, as complexas... No entanto, particularmente, prefiro as sinceras. Em meus versos, misturo ciência, poesia e música, pois assim sou em essência. De todas as palavras já ditas, fico com algumas em especial, são estas: - Se for para amar, doe-se por completo, pois o amor não aceita porcentagens. Ou este é por completo ou não existe... "Onde estou? Onde estás, meu amor"...) 

sábado, 16 de abril de 2011

(Re)Nascimento

Quando vi-me sobre esta terra,
terra de ninguém, vi-me
aos erros do passado
um trovador aferrado.
Quando, já não mais vi
bem na hora do enterro
percebi o nada.
Nasceu em outrora novo rebento
não melhor, nem pior
vinha à Desterro, Bento.

Bento A.G.

( De todas as terras que pisei, esta será por todo a inesquecível. Não por aqui nascer, ou tão pouco por aqui crescer. Ficará sim eternizada estes palmos que repetidamente cultivei, por fazer-me, poeta, por inspirar-me sempre a amar e a ser todos os dias, este raio de luz. Digo-me não Bento, digo-me Desterro.) 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Canção do poeta



São tantas as notas
que compõe este blues,
à uma modinha clássica,
de um amante boêmio.

l'amour l'amour pur
vejo-a em olhos apaixonados
l'amour l'amour pur
quero-a em instantes enamorados.

Misturam-se as línguas,
e os acordes.
e no coração do poeta
 amores que se recorde
na eternidade da essência.
Bento A. G.

( Vejo música e matemática como um. Música e amor, como dois. Juntando-os vejo o limite infinito que ambos me levam. Viajo intensamente nas músicas do meu dia-a-dia, nas equações aleatórias que regem meu viver e ainda mais, na essência do meu músculo motor, somo-me, divido-me, equaciono-me... sempre para que no final toda a igualdade leva-me a ser apenas, amor. Todo o amor que um poeta sonhou e ser sempre a exatidão deste.)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Cova rasa


As névoas afogueadas
Pairando sobre sete palmos
Fazem-me corvo lírico.

Assoviando intimamente
Ao infinito
Lamúrias de um “que” de pecado
Querendo-a como a lua
Quer o sol
Ou vise-versa.

E estas cantigas
Perdem-se nos quilômetros.
Que separam alma e corpo
E Eu, corvo lírico
Sigo obscuro e triste.

Pois a sete palmos
A luz é ilusão
E você, muito mais.

Os putrefatos, realidade
E todo aquele amor
Pode-se  dizer, algum dia
Foi verdade.
 Bento A. G.

( Diriam os poetas cinzas do dia, que qualquer instante de partida é o êxtase perfeito da saudade. Ou que o ódio é a morte do amor. Diriam, talvez, que qualquer colorido no dia é um motivo de desconfiar do mesmo. Então, digo Eu, que qualquer dor é o suficiente para divagar sobre a morte e que a morte, é a oportunidade única de falar, sobre sorte.)